A sabedoria do não acumular

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Eu me pergunto o que poderia dizer sobre o amor! É tão difícil descrever o amor. O amor apenas esta aí. Você poderia provavelmente vê-lo em meus olhos, se viesse e olhasse dentro deles. Eu me pergunto se pode senti-lo quando meus braços se estendem num abraço.

 Amor.

O que é o Amor?

 Se o amor não é sentido em meus olhos, em meus braços no meu silêncio, então não pode nunca ser descoberto a partir das minhas palavras.

São Francisco diz:

–      “O coração pode falar com a pedra – o amor extremo revela este mistério”.

 São Francisco de Assis estaria hoje certamente num manicômio. Falando com as árvores, dizendo a uma amendoeira: “Irmã, cante de Deus para mim”. E não só isso, ele escutava a canção que a amendoeira cantava! Louco! Precisa de tratamento!

 Ele falava com os rios e com os peixes e afirmava que os peixes lhe respondiam. Ele falava com pedras e rochas – são necessárias mais provas de que ele era louco?

 Ele era louco. Mas você não gostaria de enlouquecer como São Francisco de Assis? Apenas pense na capacidade de ouvir a amendoeira cantando, e o coração que pode sentir irmãos e irmãs em árvores, o coração que pode falar com as rochas, o coração que vê Deus em todo lugar, por toda a volta, de toda a forma.

 Este deve ser um coração de extremado amor; extremo amor revela este mistério a você. Mas para a mente lógica, claro, estas coisas não têm sentido.

 Para mim estas são as únicas coisas que valem. Enlouqueça, se puder; enlouqueça do coração.

 Comumente o que chamamos de amor não é amor realmente. Nós estamos demandando, pedindo. O amor comum está como pedindo: “Dá-me, dá-me mais”. O amor real diz “tira-me, tira-me mais”. Quando o amor dá, é verdadeiro; quando anseia Ter, é falso. E o amor, quando dá, irradia, pulsa.

 Não acumule ou calcule o seu amor. Não seja pão-duro. Você vai perder tudo. Deixe o seu amor florescer e compartilhe, dê, deixe-o crescer.

 Um grande rei tinha três filhos, e queira escolher um como seu herdeiro. E estava muito difícil, porque todos os três eram muito inteligentes, muito corajosos. E eles eram trigêmeos – todos da mesma idade – portanto não havia como julgar. Então ele perguntou a um grande sábio, e este sugeriu uma idéia.

 O rei foi para casa e chamou os três filhos. Deu a cada um deles um saco de sementes, e disse-lhes que estava partindo numa peregrinação religiosa. “Levará alguns anos: um, dois, três, talvez mais. E este é uma espécie de teste para vocês. Vocês terão que me devolver estas sementes quando eu voltar. E aquele que melhor as proteger será o meu herdeiro”. E partiu para a peregrinação.

 O primeiro filho pensou: “O que devo fazer com estas sementes?” Ele as trancou num cofre-forte, porque, quando seu pai retornasse, teria de devolvê-las como estavam.

 O segundo filho pensou: “Se eu as trancar como fez meu irmão, elas morrerão. E uma semente morta não é uma semente de jeito nenhum.” E pensou: “Quando meu pai chegar, irei ao mercado, comprarei novas sementes, e as darei a ele, melhores que as primeiras.”

 Mas o terceiro foi até o jardim e jogou as sementes por todo o lugar.

 Após três anos, quando o pai retornou, o primeiro filho abriu o seu cofre. As sementes estavam todas mortas, fedendo. E o pai disse: “O quê? São estas as sementes que eu lhe dei? Elas tinham a possibilidade de brotar em flores e dar grande perfume e estas sementes estão fedendo! Estas não são as minhas sementes!” O filho insistiu que eram as mesmas sementes, e o pai disse: ”você é um materialista”.

 O segundo filho correu ao mercado, comprou sementes, voltou para casa e as mostrou ao pai. O pai disse: “Mas estas não são as mesmas. Sua idéia foi melhor que a primeira, mas você ainda não é tão capaz como gostaria que fosse. Você é um psicólogo.”

 E foi até o terceiro com enorme esperança, e medo também. “O que ele fez?” E o terceiro filho o levou até o jardim e lá estavam milhões de plantas brotando, milhões de flores por toda a parte. E o filho disse: “Estas são as sementes que me deu. Assim que estiverem prontas, eu colherei as ementes e as devolverei!”

 O pai disse: Você é o meu herdeiro. É assim que se deve fazer com sementes.”

 O acumulador não compreenderá a vida, e a mente calculista também a perderá. Apenas uma mente criativa pode entendê-la. Esta é a beleza das flores, elas não podem ser acumuladas. Elas representam Deus: Deus não pode ser acumulado. Elas representam o amor: o amor não pode ser acumulado.

 O amor é a pura doação de um coração para outra coração…

Autor: desconhecido

Contam

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Contam que Deus não queria que a Verdade fosse algo fútil e banal; então, conversando com os anjos, pediu sugestões de onde colocar a Verdade para estimular os homens nessa busca. Um deles disse: “Coloque a verdade no fundo do oceano, assim os homens terão que mergulhar no mais profundo para atingi-la”. Outro lhe disse: “Coloque nas estrelas, assim eles terão que subir para alcança-la”. Finalmente, disse-lhe outro: “Coloque dentro deles, assim cada um estará sempre em contato consigo mesmo ao procurá-la”.

Mas parece que a maioria de nós continua procurando a Verdade nos títulos, nas posses, nas propriedades e no controle dos outros.

Logo, cada vez mais, o EU atrapalha, o EU que tem sono quando se quer trabalhar infinitamente para, cada vez mais, Ter mais. O EU que se apaixona, quando não se quer envolvimento para não precisar de alguém. O EU que tem estafa quando não se pode parar. O EU que fica enfermo, quando não quer adoecer de solidão.

Então, cada vez mais, o EU passa a ser o maior inimigo.

E a natureza não perdoa! Se você precisa estar mais em contato consigo mesmo e não valoriza esta necessidade, surge então aquela dor de cabeça, aquela insônia, aquela angústia! Tem gente que só fica consigo mesmo quando está doente. Se você, ainda assim, não se liga, vem o enfarte e aí você tem que ficar consigo mesmo…

É como diz a máxima: “AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO”.

Com o mesmo desprezo que alguém tem pelas suas necessidades, seus desejos; com o mesmo desamor que você tem por si próprio, acaba desamando o outro! Assim, cada um de nós passa a colocar uma máscara para esconder-se, pois o importante são as expectativas, e não o SER.

…E cada vez mais … SOLIDÃO!

E a gente acaba esquecendo-se de que tem um título de sócio remido do Clube dos Seres Humanos. Um clube sem taxas, onde as pessoas podem amar-se, encontrar-se e, inclusive, realizar-se individualmente, apesar da potência do grupo.

Esse é um lugar de abundância de carícias, onde as pessoas se afagam e podem sentir carícias como o amor, a confiança e a aceitação.

A maior parte das pessoas, contudo, prefere apagar uma taxa cara, pagar com o preço da vida, negando a alegria, fugindo do encontro, perdendo o respeito ao amor. Sem dúvida, um preço muito alto.

Muita gente prefere, ainda, freqüentar o Clube dos Solitários, dos Deprimidos. Um clube de problemas, desculpas, explicações e acusações, montado em apartamentos individuais, garrafas vazias, geladeiras à meia-noite e hospitais. Nesse clube, os esportes preferidos são: concurso para quem trabalha mais; dificuldades sexuais; comprimidos; competições, desconfiança; insatisfações.

O clube dos Seres Humanos está aí, para TODOS. O que é CORAÇÃO ABERTO e DISPOSIÇÃO PARA SER FELIZ!

Cooperar é importante também

E lembre-se: NÃO CUSTA NADA!

E muitas carícias para você e para os outros!

 

Retirado do Livros: A Carícia Essencial – Roberto Shinyashili – 134ª edição