Quintal, vida, amor

É verão.
O quintal com verduras e frutas
É inverno.
O quintal cobriu-se de neve
Ao fundo o céu azul
A vida flui em estações
Em imagens que se sucedem
Em cliques que se repetem
O tempo se escoa suave
Como uma briza doce
Todos envelhecemos
Nao como algo que decai
Mas como lembranças que acumulam.
No quintal
Por vezes está Solange
Solange é amada
Eu também amo Solange
Amor antigo, dissolvido em décadas,
Como essas plantihas que nascem entre pedras
Aparentemente frágeis, sem solo, nem beleza
Mas que permanecem, vencendo o tempo,
Inexplicavelmente resistentes…
Solange ama coisas simples
Como o quintal de sua casa
Como a praia da pequena Peruibe
Como o céu
Como o sol
Como a filha, o marido, o pai, a mãe, os irmãos…
Solange está feliz no seu quintal
E isso me comove
Poucas vezes vi Solange feliz
Agora estou tendo uma fartura
De imagens dela feliz…
Talvez a escassez anterior
Fosse para que eu aprendesse
A valorizar a abundância dos dias de hoje…
A alegria dela é suave, sem pressa,
Dispensa a ansiedade, a agitação…
Seu coração está cheio de amor e gratidão,
E ela descobre os mistérios da vida,
Sempre distantes do estardalhaço…
Por algum mecanismo que desconheço
Eu participo da felicidade da Solange
Bebo suas imagens e lembranças,
Me alimento de seus sentimentos,
E isso é bom…
E faço esse textos despreocupados
Que no fundo
São apenas declarações de amor.
by Edison de Oliveira Carneiro

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *